|
Curso de extensão discute o ensino de ciências |
|
|
|
|
Qui, 04 de Março de 2010 14:58 |
Uma iniciativa está trazendo mais pessoas para o debate sobre como criar conhecimento sobre a Ciência na cidade de Caçapava do Sul. O Núcleo de Ensino de Física (NEF) da Universidade Federal do Pampa – UNIPAMPA – do Campus Caçapava criou o projeto de extensão Epistemologia e Ensino de Ciências.
O coordenador, professor Rafhael Werlang, comenta que mesmo que o tema seja complexo, a curiosidade demonstrada pelos alunos é grande. Inicialmente com 40 vagas, o curso está concluindo sua primeira edição com 48 pessoas, devido à procura, e já há interessados aguardando.
A finalidade do projeto é aproximar docentes da rede pública e alunos dos cursos de Geofísica e Tecnologia de Mineração e de Licenciatura em Ciências Exatas da discussão a respeito da construção do conhecimento científico e de como isso é importante para as suas áreas de atuação. O curso tem a sua primeira edição finalizada nesta sexta-feira (05/03).
Mudança pedagógica
O curso ocorre em um ambiente bem diferente da imagem tradicional de sala de aula. Em vez das fileiras, grupos reunidos em círculos. No lugar dos conceitos rabiscados no quadro pelo professor, todos têm o seu momento para expor ideias e usar da palavra escrita e falada. Werlang diz que a metodologia usada reflete a postura pedagógica proposta em relação ao ensino da ciência.
Como assessores, Werlang conta com o técnico em assuntos educacionais Jucenir Rocha, que auxilia com o conhecimento adquirido durante sua graduação em Filosofia, e com o bolsista Fernando Oliveira Machado. Os três circulam entre os grupos, ajudando cada aluno a “externalizar as suas concepções e depois, em um segundo momento, é preciso desconstruir esses conceitos”. Não por acaso, a avaliação realizada é justamente a montagem de um mapa conceitual, no qual os alunos estabelecem ligações entre os princípios criados por filósofos da ciência como Popper, Feyerabend, Lakatos e Chalmers, deixando visíveis as relações traçadas pelo aprendizado de cada um.
Ganhos com a discussão de paradigmas
Para dissipar o pensamento indutivista (segundo o qual a observação de fenômenos singulares de forma a constituir um amostra permite chegar a uma “verdade”), diz Werlang, é preciso conhecer outras concepções sobre o que é e como se produz o conhecimento científico. Essa questão remete a um estudo bastante complexo, mas é fundamental para que o professor possa planejar as suas aulas de forma inovadora – além do aumento da qualidade na exposição dos conteúdos da Física, por exemplo, a criatividade e o despertar do interesse dos alunos seriam favorecidos por essa posição questionadora. O profissional da Geofísica ou de Tecnologia de Mineração também ganha ao ampliar seus horizontes científicos, tornando-se mais crítico e inventivo.
Heleno Nazário para Assessoria de Comunicação |