| Pesquisa sobre aterros sanitários foi apresentada em evento nos EUA |
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| Sex, 30 de Março de 2012 07:53 | |
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Uma pesquisa sobre o gerenciamento de aterros sanitários que resultou na proposição de um método para estimar os custos de abertura e operação de um aterro, foi apresentada na vigésima sétima edição da International Conference on Solid Waste Technology and Management, pelo professor Raul Oliveira Neto, vinculado ao Curso Superior de Tecnologia em Mineração do Campus Caçapava do Sul da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). O evento ocorreu na cidade de Philadelphia, Estados Unidos, no período de 11 a 14 de março, e é uma das mais importantes conferências na área ambiental relacionada às tecnologias da gestão de resíduos urbanos e industriais, abrangendo compostagem, reciclagem, incineração, aterros sanitários e reuso de resíduos da construção civil.
O professor Raul levou para o evento o trabalho intitulado The current situation of sanitary landfills in Brazil and the application of economic models (A situação atual dos aterros sanitários no Brasil e a aplicação de modelos econômicos, em tradução livre), assinado em parceria com Carlos Otávio Petter (UFRGS) e José Luís Cortina (Universidade Politécnica da Catalunha - Espanha). O trabalho apresentado é resultado de sua tese de doutorado, na qual apresenta estudos sobre os aterros sanitários e seus custos, e desenvolve um modelo de estimativa econômica, baseado em metodologias que são empregadas na mineração. O paper pode ser acessado clicando neste link
Trabalho sobre aplicação de métodos de estimativa econômica (à esq., em visita ao Aterro Sanitário da Philadelphia; à dir., ao lado do professor Ron Mersky, da Widener University) Modelo permite melhor avaliação de recursos O pesquisador conta que a pesquisa foi realizada e desenvolvida durante quatro anos e abrangeu aterros sanitários de pequeno, médio e grande porte, inicialmente no Rio Grande do Sul e depois nos estados de São Paulo, Pernambuco e Goiás, através de dados técnicos e econômicos. Após esta etapa, o professor buscou e coletou dados disponíveis em publicações estrangeiras da área. A pesquisa culminou com estágio durante cinco meses em Barcelona, Espanha, onde o professor Raul obteve dados da cidade e realizou visitas técnicas. Ele afirma que Barcelona é pioneira no assunto, com um dos melhores sistemas de gerenciamento de resíduos urbanos do mundo.
Aterro Sanitário e Ecoparque de Barcelona na Espanha, visitados pelo professor Raul como parte da pesquisa para desenvolvimento do modelo (à esq.: vista geral do aterro, observando-se o processo de recuperação do terreno concomitante à operação em finalização; à dir.: instalações do Ecoparque, nas quais se realiza a triagem do lixo para processos de compostagem, reciclagem, antes do resíduo urbano seguir para o aterro e disposição final) Com base nas informações coletadas, foi possível adaptar a metodologia "quick evaluation" (avaliação rápida), usada para estudos de pre-viabilidade econômica em projetos de mineração, para emprego na avaliação de custos para a abertura de um aterro novo ou o aperfeiçoamento de um aterro já existente. - Os dados coletados foram analisados através da técnica de correlação estatística e ajuste exponencial, onde os componentes de custo de um aterro sanitário foram todos correlacionados com as respectivas capacidades de recebimento de resíduos nos aterros (tonelagem diária). O modelo final fornece os resultados em termos de custos de implantação, de operação, fechamento e transporte - relata o professor Raul. Com isso, os gestores ou usuários do modelo desenvolvido na pesquisa podem decidir a respeito de diferentes alternativas de implantação de seus aterros sanitários, em termos de localização da área, capacidade ou quantidade de recebimento de resíduos, e passam a poder estimar e estabelecer os valores para parcerias público-privadas e para valores de licitações, podendo descartar opções menos favoráveis e prosseguir estudando alternativas viáveis. Assim, o modelo pode ser uma ferramenta de trabalho para técnicos, engenheiros e gerentes que atuam no setor de gerenciamento de resíduos em segmentos como empresas, prefeituras e órgãos de fiscalização. O professor pondera ainda que os municípios brasileiros precisam se adequar ao Plano Nacional de Resíduos Sólidos, uma vez que são responsáveis pelo destino final deste tipo de material. O prazo para adequações acaba em 2014, mas é em 2012 que as prefeituras devem gerar e entregar seus Planos de Gerenciamento de Resíduos - documento para o qual o modelo de estimativa de custos pode ser um subsídio.
Aterros Bandeirantes, na capital São Paulo (à esq.), e da Estre, em Paulínia, no estado de São Paulo, visitados para o levantamento Estudando o tema desde 2004, o professor Raul aponta que as experiências e informações apresentadas na conferência apontam para a continuidade do uso de aterros sanitários para depósito dos resíduos urbanos das comunidades - e por mais um longo período, o que contraria as projeções feitas nos países desenvolvidos. Segundo o pesquisador, a grande diferença que ainda prevalece é que os países do bloco dos ditos "desenvolvidos", como os EUA, a Alemanha e a França, por exemplo, investiram e continuam investindo muito em outras destinações finais tais como reciclagem, incineração e compostagem como exemplos predominantes, atingindo percentuais médios de 50 a 60%, ficando o restante para os aterros. Já no bloco dos países ditos "em desenvolvimento", como o Brasil e a Índia, a média de destinações finais de resíduos urbanos para aquelas tecnologias é de menos de 10%, sobrando os outros 90% para depósito em aterros sanitários e lixões, áreas sem nenhum controle ambiental. - Continuam, portanto, os esforços no mundo inteiro, no sentido de desenvolver a gestão dos resíduos, minimizando a geração e otimizando a destinação final, com um grande caminho ainda a percorrer e desafios gerenciais, tecnológicos e políticos por parte dos governos e entidades de pesquisa, principalmente as universidades. E no Brasil inteiro, excetuando São Paulo que se destaca em algumas iniciativas, os esforços estão sendo feitos, porém ainda há muito que se desenvolver - afirma o professor Raul. Heleno Nazário para Assessoria de Comunicação Social |