| Pesquisa é premiada no XX Simpósio Brasileiro sobre Pesquisas Antárticas |
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| Escrito por Caroline Rossasi |
| Seg, 07 de Outubro de 2013 17:29 |
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Pesquisadores da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) vêm desenvolvendo estudos no continente desde 2009. O projeto, intitulado Comunidades Vegetais e Microbianas em Áreas de Degelo na Antártica, está entre as 21 pesquisas científicas de diferentes áreas do conhecimento que participaram da 31ª Operação Antártica (OPERANTAR XXXI), organizada pelo Ministério da Defesa. Os dados coletados nas últimas expedições, realizadas pelo grupo no início deste ano, foram analisados no trabalho Composição dos líquens nas áreas de degelo adjacentes à região de Arctowski, Antártica, premiado no XX Simpósio Brasileiro sobre Pesquisas Antárticas. O evento foi realizado entre 24 e 27 de setembro, no Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP). Na OPERANTAR XXXI os pesquisadores visitaram novamente uma das maiores áreas de degelo da Ilha Rei George, a região da Estação Polonesa Henryk Arctowski. O grupo constatou que as plantas estão em pleno desenvolvimento e que houve um aumento de 19 espécies que eram consideradas raras.
O trabalho foi apresentado pelo acadêmico do curso de Ciências Biológicas - Bacharelado, Rodrigo Alves, que recebeu o prêmio de segundo lugar na categoria de apresentação oral. O estudante concorreu com alunos de mestrado e doutorado de diversas instituições de ensino. A pesquisa teve como objetivo descrever e discutir as espécies de liquens (associações entre fungos e algas) da região de Arctowski. Os resultados observados podem servir para acompanhar se as espécies estão aumentando ou regredindo, além de analisar como as condições do ambiente (temperatura, incidência solar e disponibilidade de água) podem ser influenciadas pelo aquecimento global. Para ler o artigo apresentado, acesse o caderno de resumos do congresso clicando aqui. Preparativos para a próxima expedição O grupo NEVA possui 27 integrantes, entre professores, graduandos e mestrandos da Universidade, além de biólogos, incluindo acadêmicos dos cursos de Ciências Biológicas e Biotecnologia. O professor Antonio Batista é coordenador da equipe e participa do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR) desde 1986. Com a sua vinda para a Instituição, em 2008, os estudos começaram a ser desenvolvidos pelos novos pesquisadores que chegavam ao Campus. Para chegar à Antártica, a viagem dura quatro dias e, dependendo das condições climáticas do momento, pode demorar ainda mais. Na maioria das vezes, os pesquisadores partem da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro (RJ), e a bordo de um Hércules C-130, vão até Pelotas (RS). Chegando lá, todos recebem os materiais individuais necessários para suportar a sensação térmica que beira os -15ºC. O voo continua até a Punta Arenas, no Chile, e só depois parte para o continente. Logo após a chegada, o grupo é levado de navio para a região específica onde os estudos serão realizados.
A viagem com destino à Ilha Rei George foi a primeira expedição do biólogo Gillian Nunes, formado pela UNIPAMPA. Segundo ele, participar das expedições fez com que a pesquisa tenha um maior significado. A equipe partirá novamente para a Antártica em fevereiro de 2014, dividida em dois grupos: um irá desenvolver atividades na Ilha Half Moon, nas proximidades da Base Argentina Tenente Camara; e o outro fará coletas e análise da vegetação na Baía do Almirantado, próxima da antiga estação brasileira Comandante Ferraz. Segundo o professor Filipe Victória, os equipamentos necessários estão na cidade de Rio Grande (RS) e devem seguir para o continente ainda este mês. Pesquisas trazem dados sobre clima e novas substâncias Os estudos têm trazido diversos resultados que, futuramente, podem beneficiar a sociedade. Um exemplo é a descoberta de uma alga que possui propriedades inseticidas e tem grandes chances de ser menos prejudicial ao homem que os produtos fabricados hoje. De acordo com o professor Filipe Victória, a equipe está avaliando os compostos responsáveis pelo efeito inseticida através de modelos animais. O grupo também constatou que existem plantas capazes de conferir proteção aos raios ultra-violeta (UV) quando ingeridas por lesmas, sinalizando a possibilidade de se descobrir substâncias para novas categorias de protetores solares. Conforme a professora Margéli Albuquerque, os efeitos constatados na Antártica vão além da descrição de novos compostos químicos.
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Pesquisadores descrevem minuciosamente as espécies através de estudo fitossociológico. O trabalho premiado foi assinado por Rodrigo Alves, Gillian Nunes e pelos professores Margéli Albuquerque, Filipe Victória e Antonio Batista. (Fotos: Margéli Albuquerque e arquivo pessoal Rodrigo Alves)
Mapeamento das áreas de degelo é feito com o equipamento GPS L1 L2 (Fotos: arquivo pessoal Gillian Nunes e Renato Souza)