| Pesquisas em bioquímica analisam compostos naturais do Pampa |
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| Escrito por Heleno Rocha Nazario |
| Qui, 14 de Novembro de 2013 17:02 |
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O uso de plantas tidas como medicinais é um costume antigo de diversos povos, incluindo os gaúchos. Conhecer a fundo os remédios – e os venenos – contidos nas espécies presentes na região é um dos objetivos do Programa de Pós-Graduação em Bioquímica (PPGBIOQ) da Universidade Federal do Pampa, sediado em Uruguaiana. Com turmas de mestrado e doutorado, o programa promove estudos sobre espécies vegetais nativas, substâncias de origem animal e culturas desenvolvidas na região, aumentando o saber sistematizado a partir da diversidade local. O coordenador do PPGBIOQ, professor Robson Puntel, afirma que a intenção é pesquisar os potenciais das moléculas das espécies regionais pelo viés da Bioprospecção Molecular. O termo significa o trabalho de descoberta, descrição e potencial utilização de compostos químicos biologicamente ativos encontrados na biodiversidade, considerando os aspectos terapêuticos e toxicológicos dessas substâncias.
O uso popular indica, a ciência verifica O professor Puntel comenta que muitos métodos diferentes são usados para selecionar as plantas que serão pesquisadas sob os aspectos químico e biológico, destacando-se dentre eles a etnofarmacologia. O “etno” do nome indica que este método recomenda a valorização do conhecimento popular para escolher quais espécies serão estudadas. A medicina popular aponta para as plantas que já foram usadas e que apresentaram algum efeito benéfico, e então os pesquisadores empregam as técnicas modernas para conhecer os compostos e estudar seus efeitos.
Novos estudos podem isolar e identificar os componentes que possuem efeitos, e também verificar como fabricar medicamentos a partir desses componentes e testá-los em modelos in vitro (fora de um organismo) e in vivo (em um organismo). O grupo entende que há uma ampla gama de espécies das quais não se conhece os efeitos e características químicas e bioquímicas. Há ainda as espécies vegetais desconhecidas – e novas plantas estão sendo descritas no bioma hoje em dia. Isso permite dizer que o campo de estudos é vasto como o Pampa. Além disso, aponta o professor Robson Puntel, os pesquisadores contam com infraestrutura laboratorial e modelos biológicos de significativa relevância na atualidade para as análises, como ratos wistar, camundongos, moscas drosófilas (Drosophilas melanogaster), vermes nematóides (Caenorhabditis elegans) e a recente adoção do zebrafish (Danio rerio), peixe mais conhecido no Brasil como "paulistinha".
Diversidade de pesquisas Dentro da área de concentração de Bioprospecção Molecular, duas linhas geram estudos. A linha de Química e Bioquímica de produtos biologicamente ativos é a que se dedica a descrever as espécies vegetais usadas pela população regional como fitoterápicos e suas composições. A variedade de espécies em estudo inclui plantas nativas e cultivares introduzidas pelo ser humano. Um dos estudos concluídos nessa linha é a pesquisa desenvolvida por Hemerson Silva da Rosa, que após análise concluiu que a espécie Sida tuberculata R.E.Fries, que o povo conhece por guanxuma, apresentou uma relevante atividade contra uma linhagem oportunista do fungo Candida krusei, que é um dos organismos causadores de infecções hospitalares e possui resistência aos principais antifúngicos disponíveis no mercado. O vinho tannat produzido em Itaqui em 2006, analisado por Camila Eliza Fernandes Pazzini, teve seu potencial antioxidante relacionado a um modelo in vitro de hiperglicemia (alta concentração de açúcar) para simular a condição de estresse oxidativo que ocorre em pessoas com diabetes mellitus. Os resultados indicam que uma concentração baixa do vinho foi benéfica para evitar o estresse oxidativo. Já a linha de Bioquímica Farmacêutica e Toxicológica estuda os diversos efeitos de compostos já descritos e presentes em plantas, venenos animais e compostos sintéticos, para saber como eles agem e quais as margens de segurança de uso. Além dos compostos presentes em espécies regionais, outros temas são pesquisados, como na dissertação de Leandro Catellan, que pesquisou sobre o efeito de treinamento físico como atenuante dos sintomas da Doença de Alzheimer em camundongos, e no estudo de Danize Aparecida Rizzetti, que analisou os efeitos de um tratamento antioxidante contra a intoxicação por cloreto de mercúrio no sistema vascular. Uma lista atualizada dos estudos concluídos, com acesso às dissertações, pode ser consultada na seção "Egressos e Dissertações" do site do PPGBIOQ. |

