Curso de Enologia conta com análise rápida de uvas e vinhos Imprimir
Escrito por Caroline Rossasi   
Qui, 20 de Março de 2014 11:20

Alunos e professores do curso de Enologia, do Campus Dom Pedrito, estão trabalhando com a fabricação de vinho neste mês. A novidade é a rapidez na identificação de parâmetros físico-químicos, graças ao investimento feito na aquisição de um equipamento que analisa 20 diferentes parâmetros analíticos em cerca de dois minutos por amostra. Isso agiliza a tomada de decisões sobre a produção de vinhos e até mesmo o cultivo das uvas.

O método tradicional de análise dos parâmetros pode levar até dois dias para ser concluído. As vinícolas da região da Campanha costumam usar os serviços de empresas da Serra gaúcha para análise de sua produção. Com o investimento realizado, o curso do Campus Dom Pedrito da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) passa a contar com tecnologia avançada para apoiar o ensino e a pesquisa na vitivinicultura.

O Winescan SO2 é fabricado pela empresa Foss e confere agilidade às análises do laboratório do curso. Segundo a fabricante, a Universidade foi a primeira compradora do aparelho no Brasil. A aquisição foi feita em 2012 e deveria entrar em funcionamento em 2013, mas devido a ajustes técnicos necessários, só foi possível empregar o Winescan a partir de fevereiro deste ano.

No dia 11 de março, o campus recebeu 1,2 tonelada de uvas do tipo Merlot para vinificação. Em 2014 devem ser processadas cerca de quatro toneladas de uva, produzindo aproximadamente 2,5 mil litros de vinhos e sucos.

— Todo o acompanhamento da composição físico-química das uvas, a transformação do mosto em vinho, está sendo feita também no WineScan S02 — conta o professor Marcos Gabbardo, do curso de Enologia.



Alunos e professores já trabalham na vinificação a partir de mais de uma tonelada de
uvas merlot (foto: Jansen Moreira Silveira)


Com o novo equipamento, será possível oferecer um ensino atualizado e condições de pesquisa de ponta no campo da fabricação de vinhos. O professor ainda destaca que poucos laboratórios da Serra Gaúcha contam com o equipamento por conta do custo. Outros métodos também são eficazes, porém, mais demorados.

Entre os indicadores que poderão ser medidos com o novo equipamento, a presença de dióxido de enxofre (ou SO2, como consta do nome do equipamento) é um dos mais importantes. O professor detalha que esse composto tem funções importantes na conservação do vinho e na composição do aroma (chamado de “nariz” no meio enológico) e do sabor da bebida. O composto é extremamente importante para conservar o vinho, reduzir a presença de micro-organismos indesejáveis e, por isso, deve estar presente na medida certa. A máquina torna possível a medição da presença do dióxido de enxofre, o que é fundamental para a boa qualidade do produto, e mesmo para estratégias comerciais, uma vez que há diferentes regulações nacionais sobre os níveis aceitáveis de presença do composto. 



Além do maquinário já instalado no pavilhão, o curso de Enologia analisa uvas e bebidas com o
WinescanSO2(D) (fotos: professor Marcos Gabbardo)


Recursos do Fundovitis serão investidos em vinhedo próprio

O investimento no WineScan fez parte de um série de aquisições feitas pela Universidade para equipar o curso de Enologia através de projeto enviado ao MEC. Cerca de R$ 570 mil foram destinados em 2012 para equipamentos do Complexo Enológico do Pampa, a fim de servir como suporte ao curso, nas áreas de pesquisa, ensino, e extensão, além de prestação de serviços.

Um recurso extra foi obtido neste ano junto ao Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura (Fundovitis), gerido pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Agronegócio (SEAPA) do Rio Grande do Sul. R$ 450 mil serão investidos na aquisição de equipamentos e instalação de uma vinícola experimental. O espaço didático-experimental servirá para testes e campo prático aos alunos, ampliando ainda mais a capacitação dos profissionais formados pelo curso. A área total prevista para a condução dos experimentos projetados é de 20 hectares, e o trabalho vai iniciar com a implantação em seis hectares, abrangendo a instalação da estrutura física, aquisição de um trator, uma roçadeira e um atomizador. A área de instalação do vinhedo já foi adequadamente preparada.

O professor Gabbardo conta que o projeto prevê o experimento com mais de 70 diferentes cultivares (espécies) de uvas para suco, mesa, vinhos e espumantes, permitindo conjugar a produção das uvas e o processo de beneficiamento no local. Ao longo dos três anos do projeto, estão previstos diversos testes e microvinificações para identificar combinações de cultivares e processamentos enológicos, gerando conhecimento especializado para a produção local. Há também previsão de dias de campo para produtores interessados na diversificação.


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