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Pesquisa gera dados sobre anatomia de carnívoros silvestres do Bioma Pampa PDF Imprimir
Seg, 17 de Novembro de 2014 13:56

A fauna da região - mais especificamente, os predadores carnívoros -  é estudada pela equipe responsável pelo projeto Estudos em Anatomia Comparada de Carnívoros Silvestres do Bioma Pampa. Ativo desde 2012, o objetivo é examinar características da forma e função dos órgãos e tecidos da fauna silvestre regional e reunir dados úteis para tratar e preservar essas espécies importantes para o bioma, cujas populações estão sob diferentes graus de ameaça. Os estudos são conduzidos no Laboratório de Anatomia Animal da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) Campus Uruguaiana, e conta com dois docentes, um técnico e seis acadêmicos do curso de Medicina Veterinária.

De acordo com o coordenador do projeto, Paulo de Souza Junior, a ênfase é destinada aos carnívoros, pois se encontram no topo da pirâmide alimentar e, assim, têm fundamental importância ecológica. Os carnívoros modulam a presença das presas naturais e influenciam toda a dinâmica do bioma. Ao serem caçados ou mortos por atropelamentos, suas presas naturais (veados, roedores, aves, cobras e insetos) multiplicam-se descontroladamente, o que pode trazer sérios prejuízos à lavoura e perdas financeiras.

“Infelizmente, poucos produtores rurais enxergam esse ‘efeito cascata’. Muitos optam por matar o predador (mesmo pequenos carnívoros) para prevenir uma possibilidade de perda imediata em vez de pensar em uma perda financeira muito maior no futuro”, acrescenta o professor Paulo.

Os resultados dos "Estudos em Anatomia Comparada de Carnívoros Silvestres do Bioma Pampa" têm três aplicações principais: gerar embasamento anatômico para procedimentos veterinários em animais silvestres (necessários para o cuidado de animais em reservas e zoológicos, por exemplo); colaborar com estudos de ecomorfologia (estudo das relações entre as formas dos organismos e seus modos de vida); e contribuir com dados para a elaboração de estratégias conservacionistas e de segurança nas estradas.



Acadêmicos Bibiana Welter e Wilson Viotto realizando
a morfometria muscular.


Segundo dados do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE), estima-se que mais de um milhão de animais selvagens sejam atropelados diariamente nas rodovias brasileiras, e o Rio Grande do Sul está entre os seis estados que registram os maiores números destas ocorrências. Deste modo, o Laboratório estuda as anatomias dos espécimes encontrados mortos em rodovias da região, e por isso não emprega métodos que envolvam captura ou abate.

Atualmente, o acervo do laboratório conta com mais de 70 exemplares, incluindo desde espécies que não estão sob risco, como os canídeos Cerdocyon thous (graxaim-do-mato) e Lycalopex gymnocercus (graxaim-do-campo), vulneráveis como o Leopardus geoffroyi (gato-do-mato-grande) e o Alouatta guariba (bugio-ruivo) até aquelas ameaçadas e pouco estudadas como o Leopardus colocolo (gato-dos-pampas).

O projeto tem pareceria do Laboratório de Patologia Veterinária (LPV), no qual são realizadas as análises microscópicas. O LPV existe no Campus Uruguaiana e é coordenado pelo professor Bruno dos Anjos. O Laboratório de Desenho Técnico, situado no Campus Bagé e coordenado pelo professor Cristiano Corrêa, colabora com as análises através da tecnologia do scanner 3D, que gera imagens dos ossos e permite cálculos precisos.

Fora da Unipampa, a equipe trabalha em parceria com o Laboratório de Ensino e Pesquisa em Animais Silvestres (LAPAS) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), maior centro de referência nacional em pesquisas na área, coordenado pelo professor André Luiz Quagliatto Santos, e com o Parque Estadual do Espinilho de Barra do Quaraí (RS), por meio da sua gestora, a bióloga Tatiane Uchôa.


Acadêmico Natan da Cruz Carvalho analisa o encéfalo
de canídeo: os dados obtidos permitem tratar e preservar



Resultados já compartilhados

O trabalho desenvolvido até o momento já permitiu a publicação de papers e a participação em eventos científicos para compartilhamento dos resultados. As apresentações desvendaram, por exemplo, particularidades dos sistemas locomotor e digestório de espécies como o Cerdocyon thous (graxaim-do-mato), Lycalopex gymnocercus (graxaim-do-campo), Alouatta guariba (bugio-ruivo) e Athene cunicularia (coruja-buraqueira). Um trabalho sobre a montagem de esqueletos como ferramenta no processo de ensino-aprendizagem em Anatomia Animal para discentes do curso de Medicina Veterinária também foi apresentado durante XXVI Congresso Brasileiro de Anatomia. Os alunos foram orientados pelos professores Paulo de Souza Junior e Amarílis Díaz de Carvalho e participaram dos seguintes eventos: VII Encontro sobre Animais Selvagens - II SImpósio sobre Medicina e Conservação da Fauna do Cerrado, Uberlândia, MG; 41o. Congresso Brasileiro de Medicina Veterinária, Gramado, RS; XXVI Congresso Brasileiro de Anatomia, Curitiba, PR; XVI Congreso de Anatomía del Cono Sur, Corrientes, Argentina.

Os trabalhos publicados com os resultados das pesquisas podem ser acompanhados na lista de links abaixo:





 


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