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Visita ao Irã em relato ao jornal online Sul21 |
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Ter, 06 de Setembro de 2011 07:34 |
A oportunidade de uma visita a campo é valiosa para a produção de conhecimentos e a reflexão acerca dos saberes. O professor Renatho Costa, do curso de Relações Internacionais do Campus Santana do Livramento da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), relatou os principais pontos de visita acadêmica que realizou ao Irã em maio deste ano, a convite da Al-Mustafa International University, em texto assinado para o site do jornal online Sul 21.
No texto, o professor mostra diversas facetas – algumas delas, inéditas - de um país já bem estigmatizado como integrante do “Eixo do Mal”, expressão cunhada nos Estados Unidos durante a administração Bush à qual o docente faz referência no título do texto.
O pesquisador, estudioso da política e das questões culturais dos países do Oriente Médio, explica que a sua percepção sobre o país é a de um estado que tenta mudar sua posição política regional, o que não o faz diferir de outros países em situação semelhante – um país com problemas e aspectos positivos. Mesmo acessando bem mais informações sobre o país e a região que a média da população, o professor Renatho se surpreendeu com algumas coisas que não se espera ver lá, de acordo com a imagem normalmente repassada a respeito do país muçulmano – visão que critica:
- Quanto à minha percepção sobre o Irã, na verdade sempre fui muito crítico à propaganda que é feita contra o país. A construção do conceito de “eixo do mal” parecia-me atender melhor aos interesses de quem o inventou do que representar uma ameaça ao mundo. Contudo, devido ao boicote econômico que o Irã sofre, tinha dúvidas sobre o que esperar do país, até cheguei a questionar-me se iria encontrar uma “Cuba do Oriente Médio”? Não encontrei, evidentemente, mas sim, um país que busca sobreviver a partir de um modelo político distinto, um modelo pautado pela religião.
Se houve algumas surpresas, em diversos aspectos as análises encontraram dados sociológicos obtidos na convivência com os anfitriões.
- Também pude constatar que há reais restrições à liberdade e uma estrutura distinta de governo que foge do que consideraríamos democrático. É um país que tem problemas, mas não só problemas. Tem aspectos positivos que merecem atenção. Assim, no que tange à análise da função do Irã no sistema internacional e a legitimidade de poder lutar por seus direitos como quaisquer outros Estados, minha percepção nada mudou. Contudo, pude agregar o fator sociológico nessa análise e entender ainda melhor o significado da religião para o povo iraniano. E, esses dois fatores juntos apresentam-se como uma melhora qualitativa nas análises, haja vista ter tido a possibilidade de constatar empiricamente os fatos.
Conforme o professor, o acesso e a atenção que ele recebeu devem-se em importante medida ao caráter acadêmico da viagem:
- É sabido que a presença de jornalistas estrangeiros é muito restrita, que os vistos são dificultados, mas não de acadêmicos. Isso porque o Irã entende que a mídia estrangeira (principalmente ocidental) não tem a isenção que os acadêmicos teriam. Então, como pesquisador, tive algumas facilidades, ainda mais por ser brasileiro. Os iranianos admiram o futebol brasileiro e a postura que o ex-presidente Lula teve ao aproximar-se do presidente Ahmadinejad, e isso reverteu positivamente na maneira com que me receberam no Irã.
Heleno Nazário para Assessoria de Comunicação Social |