Caravana analisa participação no FISL 2010 PDF Imprimir E-mail
Qui, 29 de Julho de 2010 17:35
O Campus Alegrete da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) marcou presença na edição 2010 do Fórum Internacional de Software Livre (FISL 11), que ocorreu de 21 a 24 de julho em Porto Alegre. No maior evento nacional e um dos maiores do mundo no segmento de desenvolvimento de programação e negócios relacionados a programas de computador de código aberto, o FISL reuniu pesquisadores, desenvolvedores, empresários, estudantes e profissionais dos setores privado e público. 45 alunos dos cursos de Ciência da Computação e Engenharia de Software e oito analistas de Tecnologia da Informação (TI) da universidade participaram do evento. A caravana foi coordenada pelo diretor do Núcleo de Tecnologia de Informação e Comunicação da Reitoria (NTIC), professor Diego Kreutz.

O evento apresentou algumas mudanças em relação às edições anteriores. Lucas Arbiza, acadêmico do 7º semestre de Ciência da Computação, notou que grandes empresas do setor, como Google, Mozilla e Oracle não enviaram representações ao FISL e lamentou a ausência dessas organizações “pela oportunidade de interagir com quem trabalha em empresas desta importância”, afirma, sem esquecer da qualidade dos brindes oferecidos.

Por outro lado, ele acredita que as palestras ficaram mais acessíveis na grade de horários e apresentaram qualidade superior em relação às oferecidas nas três edições imediatamente anteriores do evento – em parte devido ao sistema de seleção coletiva implementado pela organização do FISL neste ano, em que os participantes apontaram quais assuntos lhe interessavam.

Em um fórum de software livre, cada participante da caravana pôde escolher dentre as diversas atividades da agenda. O professor Diego observou que as áreas que mais chamaram a atenção dos alunos foram as apresentações relacionadas a mostra de soluções e aplicações em negócios, o desenvolvimento de programas e o gerenciamento de serviços de rede – este último foi a mesma escolha do analista de TI Charles Bastos, que ressaltou que apresentações e troca de informações sobre gerenciamento, desenvolvimento e segurança de redes de computadores são pouco abordadas em eventos de TI, embora sejam valiosas.
- Trata-se de uma área bastante complexa, porém de extrema importância nos dias de hoje. Além disso, vem ao encontro dos projetos existentes dos quais eu participo no NTIC - conta ele.

Lucas, por sua vez, optou pelas palestras e debates relacionados às suas pesquisas, como o projeto de software livre Gnome, por exemplo.

Tendências em 2010

Um dos pontos apontados pelo professor Diego como tendência no FISL deste ano é a cloud computing (computação em nuvem, em uma tradução livre), termo que indica a disponibilização de aplicativos, serviços e recursos computacionais através de redes conectadas pela Internet, alterando os investimentos em computadores para organizações públicas e privadas. Mas outras linhas de desenvolvimento, como a das telas interativas (touch screen) e a do barateamento do custo de computadores também foram apontadas como relevantes.

A adoção de software livre pelo serviço público é indicada por Charles como outra tendência forte. A escolha, segundo ele, mostra preocupação com custos e principalmente com a autonomia e segurança dos dados.
- O aumento da quantidade de órgãos públicos adotando soluções baseadas em software livre não se justifica apenas pelo fator financeiro, mas sim pela flexibilidade dos códigos, velocidade com que novas versões surgem para resolver os problemas e a participação da comunidade no processo de maturação e aperfeiçoamento destas soluções- explica o analista de TI.

O estabelecimento de novos contatos e o reforço dos laços existentes entre as comunidades de desenvolvimento de software livre marcou o evento, na opinião do professor Diego.
- Uma das tendências do FISL 11 foram as comunidades, o estreitamente de relações entre grupos nacionais e internacionais. Uma das grandes metas é fortalecer cada vez mais as comunidades, estratégias e ações vinculadas à difusão e utilização de software livre - diz.

Software livre no dia-a-dia

Nos papéis de gestor e professor, Diego apontou quais tecnologias lhe pareceram mais interessantes – inclusive para trabalhar em projetos no NTIC:
- Soluções para computação nas nuvens (Cloud Computing); sistemas para telas interativas (touchscreen); novas linguagens de programação, como é o caso da Go; frameworks para o desenvolvimento de sistemas Web; e sistemas de gerenciamento de conteúdos Web - enumera.

Charles, por sua vez, avalia a importância do uso e da cultura do software livre no trabalho que realiza na UNIPAMPA como analista de tecnologia. Ele está constantemente buscando aplicativos e afirma que o uso de ferramentas baseadas em softwares livres permite uma flexibilidade na utilização de diferentes componentes.
- O acesso à documentação ou códigos fontes, se for o caso, aumenta a credibilidade e torna a utilização de softwares livres uma questão de responsabilidade social que, no meu ponto de vista, deveria ser seguida em todos os órgãos do setor público - declara Charles.

Lucas, que desenvolve seu projeto de conclusão de curso usando aplicativos e programas de código aberto, diz que começou a se interessar pelo assunto há cerca de dois anos e meio, quando instalou pela primeira vez uma distribuição Linux em seu computador. Trabalhar com o desenvolvimento de soluções, incluindo as faes de teste e o estudo, não desanimam o estudante – pelo contrário. “A evolução dos projetos é muito rápida, as melhorias são contínuas e significativas”, explica ele, que diz receber forte estímulos no curso de Ciência da Computação, no qual o software livre é um aliado do ensino:
- Há disciplinas em que precisamos não só conhecer, mas também interagir com sistemas e ferramentas, e em sistemas proprietários e fechados isso não é possível. O software livre dá total autonomia e assim podemos fazer o que quisermos com nosso sistema, podemos conhecer completamente o que estamos usando e experimentando aprendemos melhor - afirma o acadêmico.

Contatos

Além de palestras e troca de conhecimentos técnicos, eventos são sempre ocasiões de recebimento (e troca) de cartões de visita. O professor Diego conta que no FISL deste ano aproveitou para conhecer alguns pesquisadores e profissionais de destaque em suas áreas. O criador da Cluster Latinux e diretor executivo da ISEIT (Instituto Superior de Estudios e Investigaciones Tecnológicas), na Venezuela, Ricardo Strusberg, é um dos nomes. Da conversa surgiu a possibilidade da UNIPAMPA tornar-se a primeira universidade brasileira a oferecer as certificações Latinux, reconhecidas e acreditadas em mais de 10 países. Um detalhe interessante: O Cluster Latinux, que reúne empresas que trabalham com software livre, foi formalmente criado no FISL de 2006.

Outro contato importante, de acordo com o professor Diego, foi feito com o professor e pesquisador Marcus Castilho, que coordena o projeto "PROINFODATA - Coleta de dados do projeto ProInfo/MEC de inclusão digital nas escolas públicas brasileira". Diego explica que o projeto apoia a criação de soluções baseadas em software livre para o desenvolvimento de projetos na área da educação, como o funcionamento de laboratórios de informática nas escolas públicas brasileiras.

Finalizando a lista, o professor Diego também entrou em contato com representantes do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.BR) e da Escola Superior de Redes da Rede Nacional de Pesquisa (ESR/RNP), com o objetivo de trazer profissionais desses dois órgãos para a 8ª Escola Regional de Redes de Computadores (ERRC 2010), evento que está sendo organizado pela UNIPAMPA com realização prevista de 4 a 6 de outubro de 2010, no Campus Alegrete.

Heleno Nazário para Assessoria de Comunicação
 



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