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I SETEA aconteceu na última sexta-feira em Alegrete |
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Qua, 20 de Junho de 2012 15:53 |
Na sexta-feira, 15, a Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) sediou o I Seminário Técnico da Engenharia Agrícola (SETEA). O I SETEA foi organizado pelo Grupo de Pesquisa Cinza da Casca de Arroz (GPCCA) com o apoio do Instituto Rio-Grandense de Arroz (IRGA), Cooperativa Agroindustrial de Alegrete (CAAL) e Massey Fergusson e teve como objetivo divulgar para a comunidade, produtores e demais pessoas envolvidas com a cadeia produtiva do arroz, informações atuais sobre Manejo de Solos, Experimentação Agrícola e Legislação Ambiental na Lavoura Arrozeira, utilizando cinzas da casca de arroz (CCA).
Coordenadores do evento e pesquisadores do PCCA, na ordem, Fátima Marchezan, Roberlaine Ribeiro e Rodrigo Machado
De acordo com o professor Roberlaine Ribeiro Jorge (UNIPAMPA-Campus Alegrete) e um dos coordenadores do evento, o uso da casca de arroz para a geração de energia elétrica é crescente e com isso ocorre a produção de enormes quantidades de cinzas cujo destino é controverso e problemático. Segundo o professor, a cinza da casca de arroz foi muito pouco estudada como alternativa de insumo agrícola, as informações a respeito de experimentos são escassas e quase ausentes. Em vista disso, o grupo formado realizará uma série de pesquisas, buscando uma alternativa agrícola para esse resíduo, inclusive buscando parceria com instituições que estejam com alguma pesquisa com CCA em andamento, como é o caso da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).
Existem fortes indícios de que a cinza da casca de arroz possa ser utilizada para recuperar alguns tipos de solos, melhorar a produtividade e a resistência da cultura do arroz e das pastagens ao estresse hídrico e doenças fúngicas. É provável que também possa ser utilizada como complemento ao calcário e aos fertilizantes utilizados na lavoura, barateando os custos de produção. No entanto, é preciso que sejam desenvolvidas pesquisas para avaliar o efeito cumulativo dessa adição na estrutura física de diferentes tipos de solos e na sua composição química.
Segundo o pesquisador, as possibilidades extrapolam a porteira da propriedade rural. Se os resultados forem positivos em termos de uso da CCA como insumo, o cenário econômico para o município e região também é promissor. Já existem usinas no município que produzem a cinza amorfa e outras que estão se instalando em São Borja e Itaqui, e com isso a demanda pela casca terá um aumento bem como a produção do resíduo. Caberá aos municípios e até mesmo ao Estado fomentar a pesquisa e futuros Arranjos Produtivos Locais, para gerar empregos e estimular a economia dos municípios. Os pesquisadores esperam que o conhecimento gerado nessa pesquisa traga benefícios para o ambiente, gerando tecnologias para o aumento de produtividade na lavoura de arroz e outras culturas e diminua os custos de produção dos agricultores.
O Grupo de Pesquisa
O GPCCA foi criado em outubro de 2011 e é composto por uma equipe qualificada de Mestres e Doutores nas áreas agrícola, ambiental, química e de gestão, além de acadêmicos da Engenharia Agrícola da UNIPAMPA – Campus Alegrete. A equipe é coordenada pela professora da URCAMP, Maria de Fátima Marchezan, oagrônomo e professor Rodrigo Ferreira Machado, do Instituto Federal Farroupilha Campus Alegrete (IFF-CA), e o professor e engenheiro agrícola da UNIPAMPA, Roberlaine Ribeiro Jorge. Também compõem o grupo o professor e químico do IFF-CA, Luciano Crochemore, e o agrônomo do IRGA, Luis Enrique Ereno. O projeto conta ainda com seis bolsistas, quatro deles custeados pela CAAL e dois com recursos de pesquisa do IFF-CA. Clayton Prates, Fábio Freitas e Estevan Pydd, são os acadêmicos do Curso de Engenharia Agrícola da UNIPAMPA/IFF-CA que participam do grupo, além de José Mário Araújo e o Willian Cooper, acadêmicos do Curso Superior de Tecnologia de Produção de Grãos do IFF-CA.
A principal financiadora do projeto é CAAL, em uma iniciativa de incentivo à pesquisa, com uma visão de sustentabilidade ambiental e acreditando em resultados agrícolas positivos advindos da pesquisa. A CAAL cedeu para as pesquisas uma área na estação experimental na BR 290 e adquiriu uma casa de vegetação de 80m2 que ficará localizada nas dependências da UNIPAMPA para os experimentos controlados. Também custeará as análises físico-químicas de solos e de tecidos, e os insumos e materiais para os experimentos. Além disso, disponibiliza o apoio e suporte da equipe de técnicos, agrônomos, departamento jurídico e de meio ambiente da cooperativa.
O projeto conta também com o apoio do IRGA, que é co-financiador na parte de análises químicas de solos e que também disponibiliza treinamento para os componentes do grupo sobre o Projeto 10, além de darsuporte agronômico para as atividades que serão desenvolvidas com a cultura do arroz.
O SETEA
Para o Seminário desse ano, a equipe procurou trazer pesquisadores de alto gabarito e conhecedores do assunto para apresentarem o que existe de experimentos com cinza da casca de arroz e manejo racional de solos e de água na cultura do arroz irrigado.
Os trabalhos do evento foram iniciados pelos pesquisadores Fátima Marchezan, Roberlaine Ribeiro e Rodrigo Ferreira que apresentaram o projeto, seus objetivos e avanços. A primeira palestra da manhã foi sobre“Manejo conservacionista de solo e implicações da adição da cinza da casca de arroz na estrutura do solo” com o Prof. Dr. Ledemar Carlos Vahl da FAEM/UFPEL e teve como mediadores o Prof. Dr. Luís Carlos Timm da Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel (FAEM/UFPEL) e o Prof. MSc. Roberlaine Ribeiro da UNIPAMPA. A segunda palestra da manhã abordou o tema “Nutrição das Plantas na Cultura do Arroz Irrigado no RS” e teve como palestrante o Eng. Agr. MSc. Rodrigo Schoenfeld do IRGA e os mediadores Prof. MSc. Ricardo Bergamo Schenato da UNIPAMPA e o Eng. Agr. MSc. Luis Henrique Ereno do IRGA. Na parte da tarde, o tema “Legislação Ambiental para Gestão de Resíduos Sólidos da Lavoura de Arroz (Casca, Cinza e Impurezas)” foi discutido pelo palestrante Eng. Agr. Marco Antônio Tirelli da FEPAM/Gercam e os mediadores Prof. MSc. Luciano Crochemore do IFF e o Prof. MSc. Daniel Martins Brambilla da UNIPAMPA. Ainda foi abordada a questão do “Uso Racional da Água na Lavoura Arrozeira” pelo palestrante Dr. João Fernando Zamberlan da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e os mediadores Profa. Dra. Ana Rita Costenaro Parizi do IFF-CA, Prof. Dr. Rodrigo Ferreira Machado do IFF-CA e o Eng. Agr. Ivo Mello, coordenador da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha (FEBRAPDP) e Presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Ibicuí.
Público excedeu as expectativas apesar da forte chuva
Apesar da chuva constante ao longo de todo o dia, o evento superou a expectativa dos organizadores, contando com quase cem pessoas, muitas até de fora do município.
Com informações de Carlos Aurélio Gonçalves, João Ricardo Ribeiro para a Assessoria de Comunicação Social |
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